quinta-feira, 25 de março de 2010

Homenagem ao Padre Martinho

Rotary de Seia distingue o Pdre. José Moreira Martinho

O Rotary Club de Seia homenageou o Padre José Moreira Martinho. A iniciativa teve lugar num restaurante da Cidade de Seia, no passado dia 26 de Novembro de 2007, e contou com a presença de familiares, amigos, colegas e paroquianos de São Romão, Lapa dos Dinheiros e Vila Cova, que estiveram acompanhados com os respectivos presidentes de Junta de Freguesia.

O homenageado reside desde 1950 em São Romão, ano em que tomou posse como padre nas paróquias de São Romão e Lapa dos Dinheiros.
Aceitou o convite com satisfação, mostrando-se grato pela homenagem, sentindo-se «deveras confundido na presença de tantos e tão ilustres amigos», que foi conhecendo ao longo dos últimos 56 anos. «Esta vossa honrosa presença fica a dever-se a um excesso de amizade com que querem distinguir-me», disse, para salientar depois: «Não a mereço, mas agradeço-a do fundo do coração».

Agradeceu igualmente ao Rotary Club de Seia a iniciativa da homenagem, acrescentando: «Só a aceito e compreendo como dirigida não propriamente à minha pessoa mas à assumpção e missão que desempenho», até porque «quando se cumpre o dever não são pedidos elogios».

Considerando «não ser normal» um pároco estar tantos anos à frente da mesma paróquia, aludiu, em jeito de brincadeira, que entre 1924 e 1950 São Romão teve 13 párocos, o que dá uma média de dois anos para cada um, o que originou o dito muito pitoresco de que «em São Romão padres e bois um ano, até dois», sublinhando que estava destinado a «quebrar com o enguiço».

Desde 9 de Setembro de 1950 contou sempre com a «incondicional e generosa colaboração» dos paroquianos, e não só. «Sinto-me identificado com eles na medida em que os seus problemas e anseios foram em grande parte também os meus», disse.

Estendeu depois aos colegas presentes, particularmente à missão que desempenham ou desempenharam no Concelho de Seia, a homenagem. Por fim, José Martinho agradeceu uma vez mais ao Rotary pela iniciativa, fazendo votos «para que continue a empenhar-se pelas boas causas, pondo em destaque instituições e entidades que promovam o bem comum, a cultura e a solidariedade humana, os parâmetros do verdadeiro Humanismo». Às paróquias promete estar «até ao dia que o meu Bispo diga “acabou” ou enquanto eu pelas minhas forças e capacidades possa estar à frente da paróquia».

Grande lutador de causas

A sua acção meritória passou pela reactivação de todas as Associações de Piedade da Paróquia, pela criação do Serviço Paroquial de Doentes, pela catequização das crianças, pela fundação da Banda da Academia de Santa Cecília, a cuja direcção presidiu durante algumas décadas, exercendo até hoje o cargo de Presidente da sua Assembleia Geral. Lançou o Boletim Paroquial “A Voz de São Romão” e interveio fortemente na construção do Monumento a Nossa Senhora da Conceição, da Casa Paroquial, das novas igrejas da Lapa dos Dinheiros e de São Romão e da capela da Catraia de São Romão, assim como na dos acessos à Assamassa, São Romão-Loriga e ramal para a Lapa, localidade onde durante 10 anos lutou pela construção do cemitério.

Em 1986 começa a paroquiar Vila Cova e entre 1988 até 1990 acumulou com Sandomil e São Gião. Em 1994 é nomeado Arcipreste de Seia e em 2000 foi-lhe atribuído pela Assembleia de Freguesia de São Romão o grau de Cidadão de Mérito. Para perpetuar a sua passagem pela freguesia, na Lapa dos Dinheiros há um arruamento com o seu nome, e em São Romão é o patrono do Pavilhão Gimnodesportivo Municipal.

Lutou fortemente para que fossem cedidos à Casa de Santa Isabel os terrenos doados pelo benemérito São Romanense Carlos Monteiro Belo, onde esta instituição de pedagogia curativa se estabeleceu, fazendo o mesmo para as sedes da Banda, dos Bombeiros, do Rancho Folclórico e do Lar de Monterroso. E na Lapa dos Dinheiros a si se deve a construção do Centro Cultural e Recreativo, bem como o Monumento ao Sagrado Coração de Jesus.

José Moreira Martinho nasceu em Lisboa no dia 27 de Outubro de 1925. Entrou para o Seminário do Fundão em 1937, iniciando estudos teológicos no Seminário da Guarda em 1942. No ano de 1949 recebe Ordens de Diácono e é ordenado Presbítero na Sé Episcopal da Guarda. Depois de rezar “Missa Nova” na sua terra adoptiva – Parada do Côa –, é nomeado Coadjutor das freguesias de Santa Maria e de S. Pedro, em Trancoso, de onde veio para São Romão em 1950, onde também foi director do Colégio local e fundador da Telescola.

A constatação de que «nunca soube o que era estar quieto, nunca soube o que era estar ocioso e ver os problemas a surgir e não dar uma mãozinha e um empurrão para eles se resolverem», reconhecida pelo homenageado, foi também referida por Eduardo Brito, que disse que quando algum dia for feita a história de São Romão e a do Concelho, o nome do Padre Martinho «tem que ser inevitavelmente mencionado».

O autarca, que é também Presidente da Direcção dos Bombeiros de São Romão, sublinhou que a sua obra «marca profundamente» o plano religioso, cultural e social, «onde tudo tem a sua marca». Disse ainda que São Romão «tem uma obra grandiosa e o pontapé de saída foi seu».

O Cónego Cunha Sério, que, além de ser natural de Vila Cova, esteve na homenagem em representação do Bispo da Guarda, ficou muito satisfeito pelo reconhecimento, até porque, disse, «não é costume um clube de Rotários homenagear um padre». Comunicou que o Bispo D. Manuel Felício ficou «emocionado e «imensamente comovido» com o acto.

Ângela Dias, sobrinha do Padre Martinho, agradeceu em nome da família o reconhecimento, dizendo tratar-se de uma homenagem «bem merecida» e que o tio «tem feito uma obra grande» e que por isso a família «está bastante orgulhosa».

Usaram também da palavra o Presidente da Junta de Freguesia de São Romão, o Presidente da Banda da Academia de Santa Cecília e a Confraria da Senhora do Desterro, para agradecerem todos os trabalhos e contributos do prelado na Freguesia de São Romão.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O Padre José Maria da Cruz Amaral OFM

O Padre Franciscano José Maria da Cruz Amaral, nasceu em São Romão em 2 de Novembro de 1910, filho de António Maria da Cruz e de Maria Benedita Mendes. Faleceu em 19 de Abril de 1993 no Seminário da Luz em Lisboa. Foi sepultado em São Romão. Em 1921 foi para Tui, Espanha, onde fez o Liceu e tira o curso de Filosofia. Em 1935 completou o curso de Teologia no Seminário do Varatojo e foi ordenado sacerdote franciscano.


Quase todas as suas actividades de sacerdote franciscano desenvolveram-se em África durante cerca de 38 anos. Esteve em Moçambique na missão de Amatongas, no Chimoio e terminou por ser colocado na Beira onde orientou o semanário Missão Africana. Também aí foi um dos criadores da Emissora Aero-Clube da Beira. Em 1943 foi também pároco de Vila Pery, e no ano seguinte regressou a Portugal e foi capelão substituto do Reformatório de S. Bernardino em Peniche.

Voltou ao continente Africano, à então província da Guiné, onde esteve até à revolução do 25 de Abril. Na Guiné, foi professor do Liceu Honório Barreto, vogal da Assembleia Legislativa, e até 1968 director do Arauto, o único jornal da Guiné que foi extinto pelo general Arnaldo Schultz, em represália contra a linha editorial do Arauto, que procurou denunciar a anarquia militar e civil do seu governo da província.

Depois da substituição de Schultz pelo general Spínola como governador da Guiné, este último convidou o Padre Cruz Amaral para director do novo jornal A Voz da Guiné, agora já jornal oficial da província

Esta sua nomeação para director do jornal oficial do governo da Guiné, trouxe-lhe bastantes conflitos com os seus superiores eclesiásticos, pois o Vaticano na altura, alinhava com a tese "Os Ventos da História", e não via com bons olhos o envolvimento do Padre José Maria, um religioso, nesse jornal oficial do Governo da Guiné. Esta pequena disputa Estado - Vaticano, que o padre José Maria da Cruz Amaral, nunca procurou, mas acabou por ser o elemento fundamental, marcaram-no bastante, e nunca gostou de falar do assunto.
Pdre. Cruz com as suas sobrinhas-netas
Na Guiné, de 1946 a 1955 foi também membro da administração da Emissora Oficial da Guiné, sendo por essa razão convidado como representante oficial da Guiné ás comemorações do V Centenário da morte do Infante D. Henrique, em 1960. Como jornalista, representando a imprensa local, integrou a comitiva da visita do Presidente Américo Tomás na sua deslocação a Moçambique.


De regresso a Portugal, a Ordem Franciscana deu-lhe a escolher o local onde gostaria de residir. Escolheu o Mosteiro do Varatojo, local calmo e sossegado, mas viajava muito a Lisboa, ficando sempre instalado em casa de amigos e familiares ou na casa da Ordem Franciscana, na Rua Silva Carvalho.

O Padre Cruz, como lhe chamava-mos, era um homem culto e modesto, escrevia muito bem, embora numa letra díficil de entender e gostava muito de literatura. Os seus autores preferidos eram o Eça de Queirós, Miguel Torga e muitos outros autores sérios. Amava os livros, e tinha uma boa biblioteca pessoal. Alguns amigos diziam-lhe brincando : - Ó Zé, tu não és mau padre, mas não nasceste para padre !

Gostava de coisas simples, de viajar, não gostando de ficar quieto muito tempo no mesmo sítio. Vinha com frequência a S. Romão, ficando sempre em casa da sua madrinha, a D. Ana Nogueira, ou Aninhas como lhe chamava, dizendo sempre missa na capelinha da casa. Creio que ninguém ainda se esqueceu das suas missas rápidas, que não demoravam mais de 10 a 15 minutos, pois raramente dizia homília.

Amigo de muitas famílias de São Romão, teve especial apreço pela família Gonçalves Dias, parece que desde Torres Vedras, de quem era muito estimado e em casa de quem ficava muitas vezes em Lisboa. Em 1984 passou, umas férias em casa de familiares em S. José da Costa Rica, e acabou por substituir o padre da paróquia de Morávia, que também tinha ido para férias.

Nessa paróquia, foi apresentado aos fiéis durante uma missa no Colégio de St. Francis, por outro franciscano, o padre André, que era o director do Colégio. Ficou muito admirado pelas palmas com que o aplaudiram dentro da igreja, depois de ter sido apresentado. Achou na altura, que isso representava uma boa comunicação, entre o celebrante e os fiéis daquela paróquia religiosa. Na sua despedida, fizeram-lhe uma grande festa de homenagem, pois durante esse pequeno período de tempo, a sua simplicidade e boa disposição franciscana, já lhe tinham feito muitos amigos.
Pdre. Cruz com a familia e também com Frei Jose de Monte Auverne e o superior do  Varatojo
Em 1985, comemorou as suas bodas de Ouro Sacerdotais, conjuntamente com Fr. José de Montalverne s eu colega de curso, que foram festejadas pela Ordem Franciscana, com uma missa e uma pequena festa para familiares e amigos na casa franciscana da Rua Silva Carvalho, sede da Província Franciscana em Portugal. A festa de comemoração repetiu-se também, dias depois, no Convento do Varatojo.


O autor desta página, considerava o Padre José Maria da Cruz Amaral como o melhor dos seus amigos, lembrando com saudade os passeios que dava com ele no claustro do Varatojo, nos bons momentos passados nas festas de Santo António, onde sempre comíamos com gosto e admiração no velho refeitório do Convento e das palestras durante os passeios pela quinta.

Lembro-me sempre, que um dia me disse, numa viagem de automóvel para São Romão, que não acreditava nos castigos do Inferno, pois não podia imaginar que Cristo se tivesse sacrificado pelos homens na Cruz, e depois estar lá em cima com um pau na mão, à espera de cada um de nós, para nos castigar pelas nossas faltas na terra.

terça-feira, 23 de março de 2010

Comendador Evaristo Nogueira


 Comendador Evaristo Martins Nogueira - São Romão
Evaristo Martins Nogueira - (e suas irmãs, D. Ana e D. Alfreda) - foi um grande benemérito, tendo contribuído decisiva e generosamente para a modernização e desenvolvimento da sua terra natal, São Romão, onde nasceu a 17 de Junho de 1891. Muito novo, emigrou para o ex-Congo Belga (actual República Democrática do Congo), onde fez fortuna no sector da exportação e importação.

Evaristo Nogueira (1891-1983)


Pessoalmente ou por intermédio da sua irmã D. Ana Martins Nogueira, apoiou os mais carenciados, instituindo a sopa dos pobres e atribuindo bolsas de estudo a alunos sem recursos. 

Foi o grande benemérito dos Bombeiros Voluntários de São Romão e da Banda da Academia de Santa Cecília e cedeu terrenos à Junta de Freguesia para urbanização da zona do Outeiro. 

Aí, promoveu a construção do Estádio da Nossa Senhora da Conceição e o Colégio de Nossa Senhora da Conceição - hoje Escola Evaristo Nogueira. 

A família Nogueira criou ainda o Patronato da Sagrada Família, que confiou às Servas de Jesus - onde professava a irmã mais nova, D. Alfreda .
Evaristo Nogueira "constitui um exemplo de raro humanismo e de preocupação pelo bem estar das populações e sua riqueza cultural" e foi justamente agraciado com diversas condecorações, medalhas e comendas no país e no estrangeiro, com destaque para a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. 

O povo de São Romão prestou-lhe grata homenagem em 1980, através da colocação de um busto no jardim com o seu nome, fronteiro ao quartel dos Bombeiros Voluntários e à sede da Banda da Academia de Santa Cecília. A escultura foi realizada por João R. Duarte.
Evaristo Martins Nogueira faleceu em Lisboa a 6 de Julho de 1983




(1) - J. Quelhas Bigotte, Monografia da Cidade de Concelho de Seia, 2ª edição, 1986.
(2) - Carlos Manuel R. S. Dobreira, Personalidades Ilustres e Figuras Típicas da Vila de São Romão, 1993.

segunda-feira, 22 de março de 2010

O Mosteiro de São Romão

(Condensado do livro do Pdre. João M. Lopes ( 1942)

NOTA - O autor deste Blog, apenas transcreve à letra, o que o Pdre. Lopes escreveu no seu livro. Errado ou certo, foi problema do autor. Pretende-se assim evitar comentários inúteis, e totalmente fora de propósito !

O Mosteiro da Estrela

Escreveu o Pdre. João M. Lopes
: « No tempo do Conde D. Henrique existia em São Romão, ou na Cabeça de Romão, o seu nome primitivo, uma ermida que ele próprio doou juntamente com casas, pomares e herdades a dois anacoretas chamados João Cidiz e Fáfila ou Táfila, ambos presbíteros.

Em 1128 transferiram estes mesmos anacoretas esta doação a D. Teotónio, primeiro Prior de Santa Cruz de Coimbra, para aqui fundar um convento de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Em 1138 foi feita escritura pública de doação da Ermida com todos os seus haveres e nesse mesmo ano D. Afonso Henriques confirmou tal doação.
Muitas e importantes ofertas se fizeram então ao Mosteiro. D. Elvira Moniz, senhora de Seia, logo em 1139, doou-lhe uma rica herdade que possuia em Bobadela. Em 1140, um fidalgo de nome Ansedo e sua mulher Gentile fizeram também doação de todas as herdades que possuíam na freguesia de Lagares.

Com estes e outros recursos a Ermida foi-se desenvolvendo e progredindo. Ainda em 1140 foi o Convento murado e construida uma torres para defesa do próprio Mosteiro, com então estava em uso. Em 24 de Junho de 1142, dia de são João Batista, fez a sua entrada solene neste mosteiro, vindo de Santa Cruz de Coimbra, o Prior D. Paio Godinho acompanhado de nove cónegos. As doações continuaram, a ponto de o Convento possuir a melhor parte das terras da região. Entre os doadores distingue-se Fernando Rairiguiz que em Julho de 1142 entregou um casal que possuía em Nogueirinha.

As herdades que Dúcio tinha em Fonte Cova, foram também propriedade do Convento. ( É de notar que ainda hoje se dá este nome de Fonte Cova, às propriedades sitas a poente desta vila na direcção de S. Tiago de Seia. ). D. Sancho I continuou, como seu pai,a obra de protecção a este convento. Todas as doações, até aqui feitas, foram confirmadas por D. Sancho I. A Rainha D. Dulce, sua mulher, comprou por cem morabitinos a vila do Ervedal e fez dela oferta ao Convento de S. Romão.

Viviam os monges neste opulento mosteiro, quando, em 17 de Fevereiro de 1196, os mouros pôem cerco ao Convento. A resistência que lhe ofereceu com o seus muros e fortíssima Torres, foi grande. Vendo os mouros a impossibilidade de o obrigar a render-se, cercam-no de lenha e põem-lhe em seguida, o fogo. As chamas avivaram-se a tal ponto que o convento ficou reduzido a cinza. Os Cónegos com o seu Prior, que era ainda o primeiro, não escaparam ao pavoroso incêndio. Ao local do seu martírio deu a tradição o nome de Purgatório. É este o nome que conserva, ainda hoje o bairro desta vila onde se supôe ter sido edificado o referido convento,

Não há documentos que garantam a data da sua reedificação. Sabe-se no entanto, que 30 anos após esta catástrofe ( 1226 ), já era de novo habitado. Nesta data D. Sancho II pretendeu tirar-lhe a vila de Valezim. A contrariar seus intentos, surgiu a oposiçao do Prior de São Romão que era então D. André Alvarez, o qual afirmava ser do seu couto e continuou a sê-lo. Algum tempo depois foi segunda vez destruído. Não se sabe porquê e por quem. É certo, porém que, em 1450, o convento de Santa Cruz de Coimbra tinha ainda jurisdição cível do couto de São Romão. Perpetuando a memória deste convento, existia ainda em 1660 a Torre que os Condes de Portalegre mandaram demolir quando Senhores do couto de São Romão. D. Manuel, em 1514,dotou esta vila com foral e deu o seu senhorio ao Conde de Portalegre que nesta data era D. Diogo da Silva. »

OUTRA VERSÃO - O Sr. Alberto Monteiro da Silva, escreve na Enciclopédia das Localidades Portuguesas :

« Há notícia de, em 1057, ter sido reconquistada aos Mouros por D. Fernando, o Magno. Em 1106, os pais de D. Afonso Henriques concederam carta de povoamento de S. Romão a dois presbíteros, João e Fafila. Estes, por sua vez, doaram todas as terras que aqui possuíam, e eram muitas, ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Em 1138, D.Afonso Henriques confirma a doação e dá carta de couto da «ermida de S. Romão» ao predito mosteiro. Tendo fundado aqui um convento, os frades de Santa Cruz ocuparam-no em Junho de 1142.

Senhor de algumas povoações e vastas terras nesta região, o Mosteiro de Santa Cruz concedeu Carta de Foro aos habitantes de S. Romão em 1144. Com este primeiro Foral, estavam lançados os fundamentos da Vila de São Romão. »
« Fernando Magno – Em 1057, reconquista S. Romão aos mouros. Os condes D. Henrique e D.Teresa – Em 1106, concedem carta de povoamento aos presbíteros João Cidiz e Fafila

D. Afonso Henriques – Em 1138, « faz Carta de Couto à Igreja de Santa Cruz da Ermida de São Romão» S. Teotónio – Em 1142, funda um convento, dependente de Santa Cruz de Coimbra, o qual veio a ser senhor de vastas terras, pois que do "Livro Santo" constam cerca de meia centena de registos, entre compras e doações recebidas. Santa Cruz concedeu Carta de Foro (Foral) aos habitantes da «Villa da Sam Romam», em Outubro de 1144.

D. Paio Godinho – Primeiro Prior do convento de S. Romão, aí chegou em 24 de Junho de 1142, acompanhado de nove cónegos. Em 17 de Fevereiro de 1196, os Mouros puseram cerco ao convento, vindo a perecer, queimados, os cónegos e o seu Prior. Diz a tradição que foi no local do "Purgatório". Em 1226, já estava reconstruído.

Egas Moniz – Prometeu a N. S. da Estrela a fundação de um mosteiro, o qual veio a ser edificado por seu filho, Lourenço Viegas. Nele se instalaram os monges de Cister

Nota - Parece que o Pdre. João M. Lopes, se equivocou em algumas das datas, na sua descrição do Mosteiro. No entanto a Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, diz que o Mosteiro de Santa Maria de Seia ou da Estrela, e portanto a sua possível destruição pelos mouros, não passa de uma lenda.

Mas que a década de 1190 corresponde a uma época de recuperação muçulmana no território português, o califa Al-Mansur reconquista todos os territórios portugueses até ao Tejo, excepto Évora, atravessa o Tejo e é muito natural que em atitude de fossado, abastecimento ou exploração as suas tropas possam ter chegado, com ou sem Mosteiro, até estas terras da Serra.
!

domingo, 21 de março de 2010

A Casa de Santa Isabel

A Casa de Santa Isabel é uma comunidade terapêutica para crianças, adolescentes e adultos com necessidades especiais.Na Casa de Santa Isabel procuramos formar uma comunidade que proporciona a cada pessoa a possibilidade de auto - desenvolvimento, de cura e de realização do seu potencial

A missão da Casa de Santa Isabel é a de criar uma comunidade de vida, de trabalho e de aprendizagem para crianças, adolescentes e adultos com necessidades especiais e os seus colaboradores. Estes esforçam-se por criar relações sociais saudáveis num ambiente dedicado à renovação pessoal e social, à terapia e ao cuidado da terra. O reconhecimento do pleno potencial de cada indivíduo promove tanto a independência como a interdependência, o que possibilita a cada pessoa o seu crescimento na vida da comunidade enquanto permite à comunidade o crescimento com o indivíduo

Mais do que uma instituição, a Casa de Santa de Santa Isabel é uma comunidade terapêutica e as nossas instalações reflectem esta filosofia. As casas e a área rural da comunidade ocupam 35 hectares no sopé da Serra da Estrela, a montanha mais alta, situada no centro de Portugal. A vila de S. Romão fica a cinco minutos e a pequena cidade de Seia a três quilómetros de distância.

Tem um total de cinco casas. Em cada casa vivem entre seis e onze alunos ou companheiros e entre quatro e seis colaboradores e suas famílias. Três destes núcleos, a escola básica - Escola Micael - e as oficinas estão perto de S. Romão. Mais perto de Seia há uma propriedade chamada 'Formigo', onde residem dois núcleos domésticos de adultos, num pequeno vale, rodeados por uma horta, por um jardim de ervas aromáticas e por um pomar de nogueiras

Pedagogia curativa - educar a criança na sua totalidade para uma responsabilidade criativa

Há alunos internos e externos a frequentar a nossa escola básica. Eles possuem várias dificuldades e enfrentam vários desafios nas suas vidas, de epilepsia, lesões cerebrais, a distúrbios comportamentais e dificuldades de comunicação. O objectivo do programa escolar é o de melhorar e permitir realizar o potencial de crescimento de cada criança, bem como permitir a expressão completa das suas capacidades latentes. Devido a um ratio favorável professor/aluno todos os alunos recebem uma instrução e um acompanhamento individualizado . Depois de sair da escola elementar, os alunos são gradualmente introduzidos no trabalho.

Durante 4 anos eles participam num programa de treino, que constitui uma componente essencial na motivação de crescer e amadurecer para a fase adulta. Durante as manhãs participam nas aulas teóricas e artísticas, na parte da tarde compartilham as oficinas com os companheiros e recebem um treino vocacional.

O site da Casa de Sta. Isabel é :

http://www.casa-santa-isabel.org/port/index.html


Capela de Nossa Senhora da Estrela

Capela de Nossa Senhora da Estrela

Do livro "O Culto de Nossa Sra." do Pde. João Marques Lopes Publicado em 1942

Diz o livro : « Pela estrada que leva à Serra, a caminho da Sra. do Desterro, antes de chegar às fábricas de lanifícios, quem se detiver, por momentos, nesta altura do seu passeio à Estrela, admira , em primeiro lugar, uma das mais belas paisagens que de S. Romão se pode divisar. Uma enorme planície, com ligeiras ondulações, cravada de vilas e aldeias, enormes veigas onde há soberbos milheirais, atrai, em seguida, as atenções dos visitantes.

Lá muito longe, à direita, está o templo de Nossa Senhora do Castelo de Mangualde, no cimo de um alto monte, a dizer-nos que até se estende a devoção do povo das Beiras à Santíssima Virgem. Esta nossa região foi de sobremaneira atacada pelos povos bárbaros ( talvez os árabes ).

Os fiéis, antes da aproximação dos invasores, fugiam com as imagens a que consagravam maior devoção, e escondiam-nas em penhascos abertos nas rochas, para que não fossem, roubadas e queimadas ou reduzidas a pó.

Diz a lenda que os pastores colocaram num destes penhascos e nestas imediações uma imagem de Nossa Senhora e quem cá de baixo pudesse ver, nas manhãs claras, notava que a Estrela da Manhã era o seu resplendor. Daí a chamarem-lhe Nossa Senhora da Estrela. Mais ou menos neste lugar existe, ainda hoje, uma Capela consagrada a Nossa Senhora da Estrela, único vestígio do Convento de Santa Maria da Estrela de monges cistercienses que os cronistas, tais como frei Bernardo de Brito, localizam na Serra do mesmo nome. A origem desta Capela com o seu Mosteiro anexo é curiosa. Diz-se que foi mandada construir por Egas Moniz.

A Lenda do Urso ou de Egas Moniz

A Serra foi, em tempos remotos, infestada por feras, tais como: javalis, ursos, porcos monteses, etc. Isto foi objecto de grandes caçadas nestes sítios. Há muitos séculos que alguns destes animais desapareceram destas paragens. Os frequentes ataques dos sarracenos motivaram a vinda de Egas Moniz a estes lugares, a fim de lhes prestar socorro. É tradição que o aio de Afonso Henriques aproveitava os tempos livres para fazer as suas caçadas aos ursos e porcos monteses. Num dia em que dava, no interior da Serra, uma batida a estas feras, casualmente separado da sua comitiva e aguardando a chegada de alguma fera, vê chegar a si uma monstruosa ursa acossada pelas vozes dos caçadores e latido dos cães.

Egas Moniz arremeteu contra ela e feriu-a com a lança. Enfurecida lança-se contra o cavalo e obriga Egas Moniz a apear-se e a defender-se com a sua espada. Em seguimento desta fera, vinha um urso, que vendo a fêmea ferida, com grande ímpeto se arremessa contra Egas Moniz., que se vê agora, obrigado a combater, a pé e frente a frente, o feroz inimigo. Foi lutando com a sua espada e recuando sempre até se guardar, pelas costas, junto dumas rochas que jaziam numa espécie de gruta. Lembra-se, entretanto, de invocar o auxílio da virgem e, sem demora, os ursos caem por terra fulminados.

Olhando para trás, vê nessa gruta uma imagem de Nossa Senhora dessas que os pastores ali haviam colocado. Deu graças à sua celeste protectora e fez o voto de lhe erigir uma Capela aumentando-a com um Mosteiro. Depois de dar graças, toca a sua buzina. os companheiros aparecem e tomam conhecimento do miraculoso sucesso. Todos ajoelham para venerar a sagrada imagem. As guerras em que nesta data se viam envolvidos os portugueses só permitiram a seu filho Lourenço Viegas, dar cumprimento à promessa do pai em 1149.

m 1161 o convento estava concluido. Neste mesmo ano acrescentou novas doações às já feitas por seu pai e foi o Mosteiro povoado com frades do Mosteiro de Alcobaça da Ordem de Cister, o mais florescente dessa ordem. Anos depois foi o Convento assolado por um violento incêndio ficando os escombros ao abondono por muito tempo. Em 1220, D. Mendo, abade de Maceiradão, reedificou-o. Finalmente, fundando-se em Coimbra o Colégio de S. Bernardo, anexaram-lhe, para sustentação dos colegiais, esta abadia de Nossa Senhora da Estrela com as suas rendas, ficando ali sòmente um religioso para celebrar a Santa Missa e cuidar da decência do templo.

Presentemente (1942), como acima se disse, existe apenas a Capelinha de linhas muito singelas. Contam os antigos que a Capela primitiva era apenas a parte da Capela-Mor da actual e estava coberta com lages. O Altar também não é o primitivo. No alto tem uma pintura de S. Geraldo. Mais abaixo, ao lado do Evangelho, outra pintura representando o Anjo Gabriel e em frente, do lado da Epístola, Nossa Senhora no Mistério da Anunciação. No fundo há mais duas pinturas, uma de Santa Teresa e outra de Santa Catarina de Sena. A imagem de Nossa Senhora da Estrela que aqui se venera, parece ser a primitiva. É de rocha calcárea, pequenina e tosca.»

Nota 1- A Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, diz que as façanhas locais de Egas Moniz nos Hermínios não constam de qualquer notícia documental ( não são provadas por documentos existentes ), antes são contraditas por todas as circunstâncias históricas que mostram a zona de Seia depois de 1057 continuamente em poder dos cristãos, e que o Mosteiro de Santa Maria de Seia ou da Estrela não passa de uma lenda.

Nota 2 - Em um dos seus progamas da RTP2, o Prof. José Hermano Saraiva, disse que se deve dizer Nossa Senhora de Estrela e não da Estrela. Afirmou ele, claro, explicando as razões !

sábado, 20 de março de 2010

As Beiras

As Beiras

Estendendo-se desde a fronteira com a Espanha até ao mar, as Beiras estão situadas entre o Norte fresco e verdejante e o Sul queimado pelo sol. Incluem as alturas da Serra da Estrela, os pântanos salgados das rias de Aveiro e cidades desde a animada Figueira da Foz, a velha cidade universitária de Coimbra até à capital da Beira Alta, a fria, forte e fiel cidade da Guarda.

Descobrir as Beiras

As Beiras, que incluem alguns dos mais belos cenários de Portugal, são compostas por três regiões. Ao longo da Beira Litoral encontram-se as adormecidas águas da ria de Aveiro e, em contraste, a agitada estância de veraneio da Figueira da Foz. A velha cidade universitária de Coimbra merece ser bem visitada e é uma boa base para visitar o Buçaco e várias estâncias termais. Para o interior fica Viseu , no caminho para as fortalezas medievais da Guarda - a capital da Beira Alta - de Trancoso e da fronteira.

A Serra da Estrela, a mais alta de Portugal, separa a Beira Alta da pouco visitada Beira Baixa, onde Monsanto, considerada " a aldeia mais portuguesa de Portugal", e a bonita cidade de Castelo Branco são atracções contrastantes.

Como chegar às Beiras
O caminho de ferro liga as principais cidades às mais pequenas, mas as estações são frequentemente longe. No caso de se pretender chegar à Serra da Estrela, a ligação seria por Nelas. Há autocarros em Coimbra para as áreas distantes e carreiras locais que ligam as povoações da região. Contudo, o automóvel é a melhor maneira de viajar nas Beiras.

A auto-estrada A1, Porto - Lisboa, passa perto de Coimbra e Aveiro, e o IP5 estabelece uma ligação rápida e panorâmica entre Aveiro e a região montanhosa do interior. O IP3 que aparece na A1 logo à saída de Coimbra, estabelece ligação, passando pela Barragem da Aguieira, com Viseu, Nelas e daí para Seia, porta de entrada para a Serra da Estrela. Também agora, antes de chegar à barragem da Aguieira pode apanhar-se a estrada que levará futuramente à Covilhã, mas que por enquanto termina na estrada de Coimbra - Guarda.

A Serra da Estrela

Grande parte da Serra da Estrela, na mais elevada cordilheira do continente português, tem mais de 1.500 metros de altitude. O ponto mais alto atinge 1.991 metros, mas é rematado por uma pequena torre de pedra - a Torre - que se eleva a 2.000 metros. As pastagens entre o granito das terras mais elevadas é apropriada para a alimentação dos rebanhos de ovelhas.

A paisagem está salpicada de cabanas de pedra para os pastores, cujos telhado de colmo são renovados após cada vigoroso inverno. Os rebanhos de ovelhas têm contribuido para a riqueza da área, fornecendo lã para a indústria têxtil e leite para o mais conhecido queijo de Portugal

O Queijo da SerraO queijo da Serra feito com leite de ovelhas da Serra da Estrela, é o melhor queijo de Portugal. É feito no Inverno - e o seu êxito dependia outrora da temperatura das mãos das mulheres que o fabricavam nas frias casas de granito - e é tradicionalmente coagulado com cardo.

Agora, as pequenas casas que o produzem são certificadas, para garantia de qualidade e autenticidade, uma vez que as falsificações são vulgares. O queijo da Serra amanteigado é claro e algo fluido, com uma casca fina. Um maior tempo de cura produz um queijo mais duro e apaladado.

O Cão de Pastor da Serra

Inteligente, leal e valente, o cão da serra da Estrela possui todas as qualidades requeridas nesta região agreste. O seu pêlo áspero, tão arrepiante como os seus ataques, ajuda-o a sobreviver ao inverno rigoroso da elevada altitude.

Em tempos antigos a sua força permitia-lhe defender dos lobos o rebanho. O pedrigree dos cães da serra da Estrela ( com algum sangue de lobo introduzido na sua criação, segundo se diz ) são criados em canis nos arredores de Gouveia e Sabugueiro.